Quando se é estrangeiro na Alemanha, os locais não criam muita expectativas ao seu respeito. Ou por preconceito, falta de conhecimento ou, simplesmente, porque não se importam, alguns alemães partem do princípio que:

– você nunca vai falar um bom alemão

– você não frequentou uma universidade (pobres países em desenvolvimento sem educação… Ironia mode on)

– você não tem/terá um emprego tão bom ou melhor que o deles.

– e, sendo mulher, você é só mais uma casada com um alemão…

Aí você vai lá, estrangeira, e dá uma palestra. O alemão que chegou meio cético, fica de queixo caído. A primeira pergunta é sempre: “você já sabia falar alemão antes de vir morar aqui?” E você responde: “aprendi aqui. Mas, depois de cinco anos, eu tinha que saber, não acha?” – porque faz parte do seu papel desconstruir conceitos também.

O tempo passa, vai continuar passando e as perguntas vão continuar as mesmas. A diferença é que você aprende a tirar proveito disso. Você aprende a lidar com o fator surpresa. Porque as expectativas são baixas, qualquer coisa que você fizer terá um impacto. Aí você aprende a ser soberana. Vai lá, faz seu trabalho da melhor forma possível e com segurança. A imagem que tinham de você muda e você passa a ser vista com outros olhos. Contudo, não como uma igual. Pelo contrário. Você é mais do que igual. Você é alguém que merece ser admirado. Porque, vejam só, apesar de tudo (ser estrangeira, ter que falar alemão e não ter uma educação compatível com o que eles imaginam ser a ideal.), você está lá dando uma palestra, dominando o assunto e o público tão bem ou melhor que um alemão.

Você, simplesmente, arrasa.

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