Desde a semana passada, Berlin passa por uma onda de calor, com temperaturas acima de 30 graus. Parece besteira, mas num país sem ar-condicionado e aonde as casas são programadas para manter o calor, é muita coisa. É um verão tardio, mas é verão.

Também no verão, funcionários tiram férias. Quem tem filhos em idade escolar tem prioridade. Instituições públicas ficam com menos pessoal e alguns atendimentos ficam mais lentos. Bom pra quem sai de férias.

Acontece que Berlin tem muito trabalho pela frente com a chegada de tantos refugiados nessa época do ano. Aqui, eles passam por um registro e só depois conseguem um lugar pra ficar e recebem uma mesada para as primeiras necessidades.

Só que são muitos e é verão. Os funcionários estão de férias. Férias programadas há meses, diga-se.

Aí desde a semana passada, junto com a onda de calor, centenas de pessoas estão numa fila aguardando para serem registradas e encontrarem um lugar pra ficar. Mulheres grávidas, crianças, homens cansados que atravessaram mares e terras para chegarem aqui estavam desidratando e passando fome nessa fila. Até que…

Até que uma chamada no Facebook organizada por uma ONG, solicitando voluntários e doações, mudou a vida dessas pessoas. Em questão de horas pessoas chegavam ao local com carros carregados de água e alimentos, fraldas e até absorventes. Uma legião de pessoas, dentre eles médicos, bombeiros e tradutores, passaram esses últimos dias ajudando a melhorar um pouco as condições dessas pessoas que passam o dia inteiro numa fila esperando o momento de “chegar” realmente na Alemanha.

Chamadas em rádio e em posts na Internet contam já não ser mais necessário voluntários no local. Eles precisam apenas de doação de água e alimentos.

Aí eu fico pensando que a Alemanha é isso aí. Que o que eu admiro nos alemães e nos berlinenses é essa solidariedade, essa capacidade de se organizar por algo bom!

E não o que os políticos falam na TV, como uma propaganda descabida para desestimular o fluxo de refugiados. Eles nem sabem o que fazer para atender uma quantidade mínima de eleitores que não são solidários.

Porém, não importa o que eles – os políticos – façam ou digam, o que não pode acontecer é o povo mudar sua essência em função de uma direita conservadora. Não deve!