No Brasil, nunca tive problemas com a minha identidade. Era uma mocinha de classe média baixa, que vivia no interior do nordeste, de pele branca.

Tinha alguns privilégios. Mais do que as pessoas negras (ou chocolate, café com leite, morenos como alguns são “classificados”). Mas, era nordestina. Profissionalmente, isso pesava algumas vezes: “para uma baiana/nordestina você trabalha muito bem.” Já ouvi de contratante…

Aí vim pra Alemanha e entrei na categoria “imigrante”. Perdi qualquer identidade que eu tinha. As referências que eu tinha, não serviam mais para mim. Por um tempo, me contentava apenas em ser estrangeira. Porque eu ainda passava pelo processo de “chegar”: aprender a língua, me adaptar, sobreviver aos invernos, arrumar trabalho etc.

O tempo passou, os alemães continuam me vendo como estrangeira, mas pouco a pouco, reconstruo a minha identidade.

A questão é que agora eu, brasileira, não sei a que grupo mais pertenço. Aqui, eu sou qualquer coisa, menos branca. Cresci sendo chamada de branquela. Aqui, sou sul americana, latina, qualquer coisa, menos branca. Brancos são eles, ora…

Ando matutando para reencontrar uma identidade perdida há mais 5 anos. E sempre quando eu acho que estou no caminho, descubro que esse negócio é mais complexo do que eu imaginava.

De uma coisa eu tenho certeza: eu sou a Eve. A brasileira de sorriso largo, que adora abraçar as pessoas. O resto vem com o tempo e com as minhas próprias redescobertas.