Eu tenho vontade de escrever um livro com minhas memórias. Não sobre aquelas do dia a dia, mas sobre aquelas que invadem meus pensamentos. Aquelas memórias de frases não ditas, pensamentos e conceitos não concluídos, ideias mal concebidas ou sonhos apenas sonhados.

Eu tenho vontade de escrever um livro que seja capaz de traduzir minha mente. Que seja capaz de expressar as linhas de pensamentos que carrego comigo e que seriam capazes de aquecer-me no inverno se tricotadas.

Aqueles pensamentos filosóficos, aqueles pontos de vista, aquela visão de mundo muitas vezes não compartilhada.

Vontade de tirar as sensações e sentimentos que guardo dentro de mim e mostrar para o mundo. Ou só tirar mesmo daqui de dentro. Para ver se acho um pouco mais de espaço em mim. Para ver se usufruo um pouco, nem que seja por um dia, do vazio. O vazio das responsabilidades e obrigações.

Vontade de voltar para a casa da minha mãe por um instante e pedir desculpas por ter crescido. Por ter virado essa mulher forte e cheia de ideias. Geniosa, ela diria. Mas que, no fundo, continua sendo aquela garotinha esperando o ônibus kaputt da escola sozinha.

Vontade de voltar no tempo para poder fazer melhor. Vontade de poder prever o futuro, para saber o que precisa ser feito melhor. Aliás não, que dá muito trabalho.

Chega de escrever, tentar traduzir sentimentos, enquadrar pensamentos e empacotar sonhos.

Vontade mesmo só de ser, de estar e de curtir:

… quem sou, quem fui e quem serei.

Uma pessoa cheia de vontades.