Passei o final de semana num lugar que gosto muito. É uma vila com umas trinta casas ao lado de uma floresta perto de Berlin. Não tem nada. Nem pega celular direito. Mas, eu gosto de ir pra lá exatamente pra “trocar o tapete”, como se fala por aqui. Sair da cidade e sentir a natureza. Passear no bosque, mesmo com neve e frio.

Quando vamos para lá, alugamos uma casa de um casal bem simpático. Dessa vez, ficamos sabendo que eles vão se mudar, vender a casa e se ir para as montanhas. O motivo, porém, não é o de querer estar nas montanhas ou mais longe ainda da civilização. Não. Eles foram expulsos da comunidade. Ou nunca foram aceitos. Eles se mudaram de Berlin há 20 anos para lá. Os dois são alemães. Contudo, nunca se sentiram integrados na comunidade. Com eles, também veio o estranho e o diferente. Afinal, eles eram da cidade. Até Internet quem trouxe pro povoado foram eles…

Nós vamos perder nosso refúgio de final de semana. E eu espero que eles encontrem uma comunidade mais aberta para onde eles forem. Porque por aqui e em todo lugar, interior é sempre interior.

Por isso, a lição de hoje é:
Foi na padaria e a atendente te tratou mal?
O médico te tratou com rispidez?
O instrutor fala alto achando que você não entende?

O problema não é você. São eles.
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