Na Alemanha, nos últimos meses, surgiu um movimento de direita que está levando milhares de pessoas para as ruas de Dresden. 20 mil pessoas. Eles protestam contra a “islamização do estado” (islamofobia), a política de refugiados, os benefícios para estrangeiros e outras coisas. Eles só não declaram seu ódio abertamente contra os estrangeiros, para não serem enquadrados como neo-nazistas. Pronto, falei!

Vejo alguns depoimentos dessas pessoas na TV e é impressionante o quanto são “cabeças-ocas”. Muitos não têm a mínima ideia do que é o islã. Colocam tudo na mesmo saco de batatas e falam coisas absurdas, como um senhor disse ver esses “estrangeiros de branco, andando com garrafas de cerveja na mão tarde da noite”. Mulçumanos não andam de branco, necessariamente. Eles não bebem álcool. Ou uma mulher dizer que a Alemanha permite casamento de crianças de 8 anos… Errr… nope!

Eu poderia estar P. da vida com esse movimento, com essa repentina exposição de pessoas com pensamentos tão medíocres. Não estou.

Na Alemanha, há liberdade de expressão. Por mais cretina que seja uma iniciativa, ela tem o direito de ir às ruas. Por que ela não pode ser proibida, há, ao mesmo tempo, um movimento contrário de pessoas fazendo passeatas “do contra”, tentando impedir que essas “criaturas” ganhem ainda mais voz.

Em Dresden, hoje, um famoso cantor resolveu fazer um show de graça na praça aonde o grupo se reuniria, forçando o cancelamento da passeata. Em Berlim, um grupo semelhante tentou fazer uma passeata aqui semanas atrás, saindo do Portal de Brandenburgo, um dos símbolos da cidade. A administração apagou as luzes do monumento, alegando não querer ver o símbolo da cidade ligada a esses ideais. Em outra cidade, uma passeata pró-diversidade foi organizada e levou mais pessoas para as ruas do que a que estava prevista do grupo direita racista. No dia 31.12.14, Angela Merkel foi à TV pedir ao povo não se “misturar com essa gentalha”. A imprensa a ridiculariza. E por aí vai…

Ontem, na TV, foi apresentado um programa especial com duas sobreviventes do holocausto em comemoração aos 70 anos do fechamento do campo de Auschwitz. Uma delas, que mora em Israel, explicando porque algumas vítimas, apesar de todo sofrimento, resolveram sair de Israel e voltarem para a Alemanha alguns anos depois, disse algo como: “os alemães são diferentes. Um tcheco (ela cresceu na Tchecoslováquia) nunca abriria a porta para abrigar um judeu. Os alemães, apesar da guerra e do nazismo, abriam. Muitos foram salvos assim.”

Que os alemães de bom coração continuem a existir nesse país. Contudo, dessa vez, em um número maior, para que 20 mil não se tornam 50 nem 100 mil.

Só mais uma coisa: #fuckpegida